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É PROIBIDO PROIBIR! – GALERIA OCUPADA

22 de Maio de 2019

A galeria do Convento São Francisco, em Coimbra, vai estar ocupada a partir do dia 24 de maio até 23 de junho. Inaugura ás 18h.

 

 

O movimento estudantil, intelectual e operário que em Maio de 1968 teve lugar em muitas cidades francesas, sobretudo na de Paris, ecoando depois em todo o mundo, teve como uma das suas marcas capitais a inscrição livre e em regra espontânea, nas paredes de ruas, praças, escolas, fábricas e edifícios públicos, de um conjunto de grafitos que funcionavam como um estímulo para a ação e para o pensamento. Na maioria dos casos, não se tratava de exigências, mas sim de gritos de proveniência vária, que funcionavam como manifestos minimalistas, cujo eco se destinava mais a alimentar os espíritos em revolta que a ser inscrito num qualquer caderno de reivindicações. Talvez o mais referido de todos – e foram largas centenas aqueles que tiveram um eco ainda hoje a reverberar – tenha sido «Interdit d’interdire!», «É proibido proibir!», apelando em uma só frase a um programa libertário, destinado a sugerir uma ordem do mundo sem barreiras e impossíveis.

Foi esse núcleo de frases-relâmpago que serviu de mote ao convite feito pelo ACERT a um conjunto de artistas para uma exposição realizada em Tondela. A sugestão foi que criassem elementos cerâmicos a partir de alguns desses slogans do Maio de 68, de modo a que cada autor, escolhendo uma frase/pensamento/provocação, construísse uma peça e com ela estabelecesse um diálogo, sob formas que poderiam ser concordantes ou discordantes, próximas ou dissonantes, irónicas ou panfletárias. Dessa forma nasceu a exposição agora patente no Convento de São Francisco, por intervenção do ACERT e com a colaboração do Centro de Documentação 25 de Abril da UC e da Câmara Municipal de Coimbra. Através dela, é possível recuperar a memória de algumas daquelas frases de grande impacto simbólico, mas sobretudo perceber de que modo elas continuam a fazer ecoar sentidos que quem as observa de imediato logo coloca em movimento na imaginação. Ao mesmo tempo, da iniciativa resultaram propostas estéticas de grande dinamismo, que podem ser apreciadas nesta nova exposição.

Rui Bebiano (Centro de Documentação 25 de Abril)

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